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Casal investe em franquia de escola
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| Simone abriu a escola apenas cinco meses após voltar |
Depois de 5 anos trabalhando em fábricas japonesas, Simone Sayuri Sano Santos, 33 anos, estava decidida ficar no Brasil definitivamente. Ao invés de comprar uma casa própria ou um carro, como faz a maioria dos dekasseguis que retorna ao País, após passar um primeiro período no Japão, Simone optou em iniciar seu próprio empreendimento. Aplicou as economias em uma franquia do Instituto de Ensino Kumon, em Osasco, assim que chegou no Brasil. “Antes de qualquer coisa eu precisava ter como me sustentar”, conta. A escola, hoje, já está com 110 alunos e ensina japonês, português e matemática.
“Eu não queria era repetir o que acontecia com muitos parentes – eles compravam um imóvel, mas não tinham como se manter. Assim eram obrigados a voltar para o Japão”, explica Simone. A decisão de investir foi rápida. Apenas 5 meses após chegar ao Brasil, em 1997, já estava com as portas de sua franquia abertas.
Como muitos brasileiros, em 1992, Simone, então desempregada, foi tentar a vida no Japão junto com seu marido, José Henrique Peixoto dos Santos. “Fomos com o objetivo de ficar 3 anos, voltar e montar um negócio”, conta. Mas o tempo foi além das expectativas. O casal acabou ficando 5 anos para poder economizar R$ 50 mil, suficientes para abrir a franquia do Kumon.
Simone e seu marido ficaram a maior parte do tempo em Hiroshima, trabalhando em um clube de golfe. “Não foi fácil, trabalhávamos mais de 10 horas por dia”, conta a ex-dekassegui que só conseguiu começar a economizar depois de 3 anos no Japão. “Lá se ganha bem, mas também se gasta muito. Demoramos a juntar dinheiro”, comenta.
Além de dar duro todos os dias no clube, Simone foi obrigada a aprender o japonês. Segundo ela, em Hiroshima existem poucos brasileiros, e nas fábricas não há tradutores de português-japonês. “Tive de aprender tudo sozinha. Foi difícil, mas compensou”, conta. Hoje, o casal fala fluentemente a língua. “Esse se tornou nosso diferencial no Brasil”, afirma, satisfeita com o esforço.
Simone começou a pesquisar franquias através de jornais e revistas publicados em português no Japão. “Guardava diversos materiais para ir direto nos negócios que me interessavam , quando chegasse no Brasil”, conta. “Decidi que queria investir em alguma coisa que tivesse computador ou a língua japonesa, pois queria usar o que eu tinha de melhor, a fluência em japonês”, comenta.
A ex-dekassegui não mediu esforços para chegar onde está hoje. Ela e seu marido trabalham cerca de 12 horas para manter a escola. “Quando se tem um negócio próprio, é preciso batalhar mais que nas fábricas japonesas”, afirma. No início, o casal chegou a fazer do local de trabalho sua própria residência. “Nos acomodávamos pior que no Japão”, lembra. Hoje, com o retorno do empreendimento eles já conseguiram construir uma casa.
Simone utiliza muitas lições que aprendeu na convivência com os japoneses para dar uma alavancada nos negócios, entre elas, a forma de tratar os clientes. “Quando estava no Japão, comprei um aspirador de pó e todo mês essa loja me enviava um brinde. Isso me fazia voltar lá sempre”, lembra. O casal tenta aplicar essa filosofia em seu empreendimento. “Sempre faço um agrado para os pais e alunos”, revelando o segredo do seu negócio.
Simone listou 3 dicas para os dekasseguis que já pensam em voltar ao Brasil e investir:
1- “Primeiro, a pessoa tem de pensar como se sustentar no Brasil. A gente volta com tanta saudade e só pensa em passear, mais não é bem assim” 2- “Abrir um negócio exige paciência. É preciso lembrar que o dinheiro do Japão é diferente do brasileiro.” 3- “Perseverança. Não desista na primeira dificuldade.” |